terça-feira, 7 de junho de 2016

#CearádeAtitude: esportistas cearenses dão exemplo de superação

Topo Ceará de AtitudeNo dia em que a Tocha Olímpica chega pela primeira vez ao Ceará, conheceremos, nesta terça-feira (7), a história de três cearenses que encontraram no esporte a motivação para superar as dificuldades.

A medalhista olímpica Shelda Bedê e os paratletas Cláudio Amora e Carlos Alberto (Betão) contaram, nesta terceira matéria da série especial Ceará de Atitude, os seus sonhos, histórias de superação e a emoção de conduzir o símbolo das Olimpíadas 2016

TS7591 webcearense Shelda Bedê, atleta do vôlei de praia, encontrou no esporte a possibilidade de transformar a vida. A medalhista se destacou nas areias e figurou entre as melhores jogadoras do mundo, sendo heptacampeã do Circuito Mundial de Vôlei de Praia, bicampeã mundial e ganhadora de mais duas medalhas em mundiais, ouro nos Jogos Pan-Americanos de 1999 e medalhista de prata nos Jogos Olímpicos de Sydney 2000 e Atenas 2004. No entanto, a medalhista lembra que recebeu muitos "nãos" ao longo da carreira. "Minha vó sempre falava para mim: 'força, coragem e vença'. Então, sempre fui à luta porque eu sabia que queria ser atleta. Tinha tudo pra não dar certo, minha vida. Mas, na verdade foi o contrário, deu muito certo. Eu recebi muito não, muitas portas se fecharam na minha cara, muitas. Mas todos os nãos que recebia me motivavam a ir em frente. A gente tem que acreditar nos nossos sonhos. Querer é poder", finalizou.

TS7543 webSegundo Bedê, o vôlei nem era sua paixão durante a infância, mas, com o passar dos anos, sua irmã acabou abrindo-lhe os olhos."Fui jogar vôlei porque minha irmã mais velha jogava. Na ocasião, com 12 anos, eu jogava basquete. Nunca pensei jogar vôlei porque o basquete era mais movimentado, tinha muita corrida e não parava. Mas minha irmã começou a viajar para defender o colégio, o clube, o Estado. Eu achava aquilo o máximo e era o que queria", enfatizou.

sheld1Para a campeã, "o esporte é transformador, modifica a vida das pessoas". "Foi através do esporte que consegui proporcionar a minha família uma condição que, talvez, outra profissão eu não conseguiria. Eu devo tudo ao esporte: tudo que conquistei, o que minha família tem, o que consegui. Tudo foi o vôlei de praia que me deu", salientou. Shelda disse que passou por várias atividades esportivas, até se encontrar no voleibol. "O esporte nasceu comigo, eu nasci com o esporte. Eles se misturam. Sempre fiz todo tipo de esporte: eu nadei, eu dancei, eu fiz patinação, eu joguei basquete, eu surfei... Até me encontrar no voleibol indoor e depois ir pro vôlei de praia. Uma coisa eu sabia: eu queria viver do esporte. E era muita ousadia, naquela época, uma cearense, baixinha para os padrões da modalidade, eu me tornar uma atleta de vôlei campeã", destacou.

Ao lado de Adriana Behar, Shelda constituiu uma das dupla femininas mais vitoriosas do vôlei de praia do Brasil, conquistando 1.101 vitórias e 114 títulos ao longo da carreira, o que levou a parceria ao Livro Guinness dos Recordes no ano de 2006. Sobre a parceira, Shelda demonstra carinho e diz estar feliz em receber a tocha das mãos de Behar. "Tenho uma enorme gratidão e amor pela Adriana, pois tudo que conquistei foi com ela. Foram doze anos de parceria, onde conquistamos muitas coisas. Fiquei muito feliz em saber que ela estará aqui e entregando a tocha pra mim", exclamou.

paratlet1Já o paratleta Carlos Alberto Maciel, o Betão, viu a vida perder sentido aos 12 anos, quando perdeu o braço direito numa máquina de bater arroz. Apesar do ocorrido, o cearense não deixou de fazer o que mais gostava: praticar esportes. Começou em 2005 no atletismo e depois foi para o paratriathlon. "O esporte remodelou totalmente minha vida. Ele me trouxe possibilidades de conhecer novas culturas, de me sentir humano, de ser um cidadão e de me superar. Antes do acidente, eu me achava inferior das outras pessoas. Hoje, tenho uma visão completamente diferente do que é viver", afirmou.
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Em 2008, Betão resolveu saber qual sua classificação na natação, visto que a pessoa com deficiência, para competir em qualquer modalidade, deve passar por um processo chamado classificação funcional, definindo em qual classe poderá competir. Classificado na categoria S8, competiu pela primeira vez e obteve o seu primeiro recorde brasileiro, nos 100m borboleta. Hoje, o atleta é um dos grandes nomes da natação paraolímpica cearense, com diversos títulos nacionais e internacionais.

Sobre o revezamento da tocha, Betão lembrou de toda dificuldade que já enfrentou e disse ter chegado no ápice da carreira. "Vejo vários Carlos Albertos conduzindo a tocha em Fortaleza. Aquele garoto que comia café com farinha na infância, pirão de feijão, pão com óleo. O Betão que corria descalço em Morada Nova, brincava de pega-pega no Rio Banabuiú e agora vai conduzir um símbolo tão grandioso das Olimpíadas. Será um dos momentos mais importantes da minha carreira", pontuou. E concluiu: "Quero levar para os deficientes que estão em casa, e acham que não podem se divertir, uma imagem de força e garra. Muitos pais acham que o filho é um porcelana e não pode fazer nada. Temos que quebrar esse paradigma de que o deficiente é um coitadinho. Pelo contrário, o deficiente é como qualquer outra pessoa dita como normal. Lembre-se que a vida não me escolheu pra ser vencedor, eu escolhi vencer na vida".

paratlet2Outro cearense que é exemplo de superação é o paratleta Cláudio Amora, que aos dois anos, após uma febre, teve paralisia infantil na perna esquerda e, por orientação médica, iniciou a natação, aos 10 anos. Através do esporte, ele desenvolveu os movimentos. Treinou basquete em cadeira de rodas, natação e corrida, mas se apaixonou pelo triathlon, em 2003. "Um bombeiro me viu nadando no Centro Comunitário do José Walter e me convidou para fazer parte da equipe de triathlon que ele treinava. Acabei aceitando, fui pegando gosto pela coisa e participei paratlet3da minha primeira prova, inclusive sendo o primeiro deficiente no Ceará a realizar triathlon, e estou até hoje", disse.

paratlet3Amora explicou que foi a esposa que enviou uma mensagem indicando-o para o revezamento da tocha. "Graças à minha esposa, eu vou realizar esse sonho de todo atleta. Ela viu um concurso nas redes sociais, para indicar uma pessoa na condução da tocha. Fiquei surpreso quando fui selecionado e bastante feliz. Estou bem ansioso, nem conseguindo dormir direito eu estou", ressaltou. O campeão destacou que levará a tocha nas unidades de ensino de Fortaleza, para aproximar os alunos do esporte. "Estou fazendo um projeto no meu bairro, o José Walter, que será posto em prática após o revezamento. Levarei a tocha olímpica nas escolas, já nesta quarta-feira (8), para apresentar os estudantes e contar um pouco da minha história. Assim como minha filha, de oito anos, que também é atleta e já é campeã no skate, outras crianças podem se espelhar na minha carreira", frisou.

Em 2013, Amora recebeu a Medalha de Mérito Desportivo, da Secretaria de Esportes do Estado do Ceará (Sesporte), de melhor paratleta do estado do Ceará. Em 2012 e 2013 obteve várias conquistas, sendo campeão na categoria TRI 02 – Campeonato Cearense de Sprint Triathlon (2ª etapa 2013); campeão ranking 2013 na categoria TRI 02; campeão da categoria TRI 02 do Campeonato Cearense de Aquathlon – 1ª etapa 2013; 5º colocado no Campeonato Mundial de Paratriathlon 2013; 3º colocado no ranking brasileiro de Paratriathlon 2013 na categoria TR-02 e 13º colocado no ranking mundial de Paratriathlon 2013, em Londres, na categoria TR-02.

Tocha Olímpica - Em Fortaleza, o percurso da tocha está dividido em três trechos: Arena Castelão até o Centro de Eventos; Praça Luiza Távora em direção ao Terminal Marítimo de Passageiros no Mucuripe; e o Cuca Barra com destino ao Aterro da Praia de Iracema, que culminará no acendimento da pira olímpica e contará com as apresentações de Thiaguinho e da banda Aviões do Forró.

No Ceará, a chama olímpica permanece por três dias e percorre 12 municípios. O trajeto começou nesta manhã em Aracati, passa por Aquiraz e Fortaleza. No dia 8 de junho, o revezamento segue pelos municípios de Caucaia, Itapajé, Irauçuba, Forquilha e Sobral. Já no dia 9 de Junho, Massapê, Granja, Camocim e Barroquinha serão agraciados com o evento.

A jornada da Chama começou no dia 21 de abril, em Olímpia, na Grécia, cidade-­berço dos Jogos. Chegou em Brasília, no dia 3 de maio, para o início do revezamento, que termina em 5 de agosto, no Rio de Janeiro, no acendimento da Pira Olímpica na Cerimônia de Abertura dos Jogos.
Wiarlen Ribeiro - Repórter / Célula de Reportagem
Fotos: Tiago Stille / Governo do Ceará.
Produção: Thiago Sampaio

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