terça-feira, 25 de outubro de 2016

Vaqueiros fazem manifestação em Banabuiú contra lei que proíbe vaquejada

Estimativa é que cerca de 150 vaqueiros tenham participado do protesto (Fotos: José Avelino Neto)Estimativa é que cerca de 150 vaqueiros tenham participado do protesto (Fotos: José Avelino Neto).

Banabuiú. Uma manifestação contra a lei que proíbe a prática de vaquejada no Ceará, reuniu cerca de 150 vaqueiros na tarde desta terça-feira (25), neste Município da região do Sertão Central. O número foi estipulado pela Associação de Vaqueiros de Banabuiú (Avab), organizadora do movimento.

O protesto teve início por volta de quatro da tarde. Montados a cavalo, vaqueiros da cidade e de localidades e distritos da zona rural se concentraram em frente a um hotel na entrada de Banabuiú. As cinco e meia eles iniciaram uma cavalgada até a praça do Centro. O trânsito em uma das vias da CE-368, conhecida como Rodovia Padre Cícero, ficou interrompido. No trajeto os vaqueiros levaram uma imagem de Nossa Senhora Aparecida.

O movimento chamou a atenção de moradores da avenida Adília Cajazeira, por onde a cavalgada passou. Ao final do movimento, os vaqueiros se reuniram na praça 25 de janeiro e fecharam o trânsito das principais ruas da cidade. Em um carro de som, líderes do movimento falaram que vão continuar lutando para que a vaquejada não seja extinta.

Vaqueiros são contra Lei que torna a prática ilegal no Ceará.

Decisão polêmica - Manifestações como a de Banabuiú nesta tarde, têm se tornando comuns em cidades do Ceará desde que o Supremo Tribunal Federal (STF) regulamentou a Lei que reconhecia a vaquejada como prática cultural e esportiva, e proibiu a prática desde então. Indignados com a decisão, vaqueiros têm promovido manifestações em vários municípios como forma de resistir à decisão.

A lei é polêmica e divide opiniões. Vaqueiro desde criança, conforme conta, Valdecir Rodrigues de Sousa, 75 anos, defende a continuidade da vaquejada. “Tem que botar esse movimento pra frente pra ver se muda alguma coisa. É um negócio que vem de outras datas, não pode acabar de repente. Tem gente que bota comida na mesa pelo trabalho na vaquejada”, opina ele. Já a comerciante Rita Campos, 70 anos, vê o lado dos animais. “Tem que acabar! Esses protestos não vão mudar nada! Será que eles achariam bom que a gente puxasse no cabelo deles pra derrubar eles no chão, como fazem com os animais? A gente não pode judiar nem de uma formiga”, diz ela

De acordo com o organizador da manifestação e presidente da Avab, Katson Borges, a prática está enraizada na cultura cearense e abre oportunidades, razões que ele acredita dificultar o fim da vaquejada. “Eles não vão conseguir acabar! É uma prática que gera emprego, mostra a nossa cultura, então tem muita coisa envolvida. E nós vamos lutar para que ela não acabe”, disse Katson.

Nova ação da justiça - Nesta terça, o Centro de Apoio Operacional de Proteção à Ecologia, Meio Ambiente, Urbanismo, Paisagismo e Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico e Cultural (Caomace), do Ministério Público do Estado do Ceará (MPCE), jogou panos mais quentes na discussão: ele encaminhou aos promotores de Justiça do estado um novo material para auxiliar os membros do MPCE a impedir a prática de vaquejadas por meio de Ações Civis Públicas. De acordo com o MPCE, entre os arquivos enviados, está uma minuta de Ação Civil Pública na qual é rebatida a alegação de que o julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) 4983 pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) foi precipitado.

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