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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Válvulas do açude de Banabuiú são abertas para liberar água para o Baixo Jaguaribe; veja o vídeo

Liberação é de 1.645 litros de água por segundo, por até vinte dias. Liberação é de 1.645 litros de água por segundo, por até vinte dias.

Banabuiú. Já estão abertas desde a tarde da última quinta-feira (4) as válvulas do açude Arrojado Lisboa, localizado neste Município, para liberar água para a comunidade ribeirinha de cidades vizinhas e para a população da região do Baixo Jaguaribe. A vazão deve continuar por até vinte dias.

A decisão em liberar a água foi tomada em reunião, na última terça-feira (2) com membros do comitê da bacia hidrográfica do Banabuiú. A decisão era de 2 mil litros por segundo mas de acordo com o chefe do escritório do Departamento Nacional de Obras Contra às Secas (Dnocs) de Banabuiú, José Ariston Queiroz, o volume liberado é de apenas 1.645 mil litros por segundo. “A água já chegou a um volume muito baixo e as válvulas não têm mais pressão para liberar a água”, argumentou Ariston.

Válvulas foram abertas na última quinta (4) por técnicos da Cogerh (Fotos: José Avelino Neto)Válvulas foram abertas na última quinta (4) por técnicos da Cogerh (Fotos: José Avelino Neto).

Na reunião da última terça, realizada no auditório do campus do Instituto Federal de Educação (IFCE) de Quixadá, o gerente regional da Companhia Cearense de Gestão de Recursos Hídricos (Cogerh), Luis César, não era possível saber até onde a água iria chegar. “Essa é uma descarga emergencial mas é preciso intensificar a fiscalização contra barramentos e desvio ilegal de água pelo rio que vai ser perenizado”, disse. Luis César garantiu, com base em estudos técnicos feitos pela Cogerh que, mesmo com a vazão, o açude de Banabuiú ainda terá o equivalente a 0,4% de sua capacidade até o final de março de 2017. O Diário do Nordeste deu detalhes da reunião em uma matéria da edição da última quarta-feira (3).
Dados
De acordo com informações do Portal Hidrológico do Ceará o reservatório encontra-se, atualmente, com 11 milhões e 600 mil litros, o que corresponde a 0,72% de sua capacidade total. De acordo com presidente da Bacia do Banabuiú, Francisco Edison Melo, os representantes da cidade que decidem pela não liberação da água, representa uma pequena minoria frente aos demais representantes. “Por isso, nas votações, não temos força para decidir que não pode liberar”, argumentou, na última terça.

A bacia do Banabuiú é formada por 19 açudes de 12 municípios. O total de água armazenada nos reservatórios equivale a 2,71%, o terceiro mais baixo volume entre todas as bacias hidrográficas da Cogerh. A primeira é a do Baixo Jaguaribe, com 0,25% e a outra é a bacia do Curu, com 2,52%.
Leia mais em http://blogs.diariodonordeste.com.br/sertaocentral/acude/valvulas-do-acude-de-banabuiu-sao-abertas-para-libera-agua-para-o-baixo-jaguaribe/

quinta-feira, 28 de julho de 2016

CEARÁ Água de todos os açudes do Ceará está com qualidade comprometida

Relatório da Cogerh aponta que a qualidade da água dos reservatórios cearenses piorou em relação a 2015.

A água armazenada em todos os açudes do Ceará está com a qualidade comprometida em algum nível. Segundo o último relatório de monitoramento da Companhia de Gestão dos Recursos Hídricos (Cogerh), a situação piorou em relação ao estudo anterior, feito no ano passado. Dos 111 reservatórios estudados, 13 têm implicações na qualidade, mas, na maioria dos casos, ficam em níveis aceitáveis. Outros 98 têm água com substâncias indesejáveis ou com comprometimento acentuado. Quarenta e dois açudes não puderam ser avaliados por impossibilidade técnica ou por estarem vazios.

A análise foi divulgada este mês e é referente a coletas realizadas em fevereiro deste ano, período de início da quadra chuvosa. Do total, 88,3% das amostras tinham algum grau de contaminação além do aceitável. Em novembro de 2015, 82,7% das águas apresentaram algum material indesejável. No relatório de 2015, o açude de Tatajuba, no município de Icó, era o único com águas consideradas limpas. Na nova análise, não há nenhum açude nessa categoria.

A pesquisa leva em conta a deterioração da qualidade da água, que pode ficar com aspecto esverdeado e mal cheiroso, causar a morte de peixes e favorecer o surgimento de plantas aquáticas. Além disso, a água nessas condições demanda mais tratamento, o que aumenta o custo do processo. Isso foi justificativa da Cagece para reajuste na conta de água no último mês de março.

Segundo a Cogerh, os açudes do semiárido costumam ter esses problemas devido à baixa renovação das águas. “A estiagem é um fator extremamente relevante na deterioração da qualidade da água”, explicou, em nota, o Estado. Segundo o relatório, os principais geradores da contaminação para os reservatórios são descargas de esgotos domésticos e industriais, afluência de partículas dos solos, criação de gado no entorno dos açudes e piscicultura.

Na última terça-feira, 26, foi anunciado pelo Governo do Estado novo plano de contingência, que terá meta de economia de água de 20% e tarifa mais severa.

Níveis de poluição - Na análise, a maioria dos açudes apresentaram grau intermediário ou alto de poluição. Há 36 açudes no pior estágio de comprometimento da qualidade. Eles apresentam elevada concentração de substâncias indesejáveis e estão sujeitos a grande reprodução de algas e aumento da mortandade de peixes.

Outros 62 açudes estão no segundo pior estágio de degradação da qualidade. Estão entre os açudes mais usados e, por isso, os mais afetados pela ação humana. Eles representam a maioria dos reservatórios analisados. Suas águas perderam parte das características ideais, como a transparência. Os açudes mais importantes do Ceará estão nessa categoria. É o caso dos três maiores: Castanhão, Orós e Banabuiú. E também o Gavião, por onde passa a água que abastece Fortaleza.

A Cogerh ressaltou que a água armazenada em qualquer açude precisa de tratamento para ficar apropriada ao consumo. Conforme o órgão, as análises divulgadas pelo relatório são de amostras colhidas na superfície dos reservatórios, próximo às barragens. “Não necessariamente será representativa da qualidade de toda a massa de água acumulada no açude”, diz.

Contudo, o órgão ressalta que tais índices representam indicação de que a qualidade da água está comprometida. Para a Cogerh, o Estado tem mostrado que é preciso desenvolver estratégias para conviver com a escassez hídrica e com a presença desses materiais nos reservatórios, sobretudo após anos consecutivos com poucas chuvas.

Saiba mais - Na última quinta-feira, 21, o Castanhão ficou, pela primeira vez desde que encheu, com volume abaixo de 8% da capacidade total. Ontem, o reservatório estava com 7,83% do volume. Em maio, estava com 9,17% da capacidade.

Neste ano, o Ceará fechou a quadra chuvosa abaixo da média, com 329,3 mm de precipitação e desvio negativo de 45,2%. O ano entrou na lista dos dez mais secos da região desde 1951.
Igor Cavalcantevictorigor@opovo.com.br

Leia o mapa aqui.